Sem crescimento meteórico de anos anteriores o mercado americano de cerveja artesanal continua crescendo só que num nível maior de maturidade

Após anos de aumentos de dois dígitos nas vendas, as vendas de cerveja artesanal continuam crescendo, mas a um ritmo mais lento. 

Os EUA chegaram ao número de 7.346 cervejarias no país e são esperadas a abertura de mais 1.000 pela Brewers Association em 2019.

Cervejarias artesanais, produziram cerca de 4% a mais de cerveja em meados de 2019 do que no ano anterior.

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Já o mercado total de cervejas têm apresentado leve queda ano após ano perdendo volume nas marcas de grande volume de consumo como Budweiser e Miller Lite.

Todas as cervejarias dos Estados Unidos, incluindo as principais empresas Anheuser-Busch e MillerCoors, produziram cerca de 23 bilhões de litros em 2017, um declínio de 1,2%, segundo a associação e caiu mais 1% em 2018

A revolução da cerveja artesanal continua forte e a participação de mercado da indústria cresceu de 12,1% em volume em 2016 para 13,2% em 2018. No ano passado, a receita também aumentou, crescendo 7% em relação a 2017, para US $ 27,6 bilhões. A cerveja artesanal agora tem uma participação de 24,1% no mercado de cerveja dos EUA.

O infográfico a seguir da empresa Statista fornece uma visão geral da produção industrial juntamente com as cervejarias artesanais e mostra a diferença que uma década faz. Em 2008, cervejarias pequenas e independentes de acordo com a Brewers Association produziram 8,5 milhões de barris de lager, stout, pale ale, india pale ale, e inúmeras outras variedades. 

Em 2018, a produção subiu abruptamente para 25.917.766 barris (3,05 bilhões de litros). Há uma década, quando pouco mais de 1.500 cervejarias estavam abertas. No ano passado, 2.594 das cervejarias estavam na categoria brewpub, 4.521 eram micro e 231 regionais.

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Taprooms são o novo motor do mercado americano

Localização e consolidação são os novos nomes do jogo atual no mercado de cerveja artesanal norte-americano.

Analistas têm concordado que os taprooms são os novos motores de crescimento deste mercado nos Estados Unidos. Eles permitem se beber a cerveja o mais fresca possível, em alguns lugares com insumos do próprio local enquanto se têm a experiência de visitar a cervejaria e estar entre pessoas do seu local fortalecendo o sentido de comunidade.

Financeiramente para pequenos empreendedores esse modelo também é muito interessante por cortar cortar custos logísticos e agregar receitas da venda direta que seriam destinadas ao varejo.

As cervejarias também são, com frequência, impulsionadoras do crescimento local. Em todos os EUA, pequenas cervejarias criaram mais de US $ 76 bilhões em impacto econômico, incluindo 500.000 empregos, mais de 27% daqueles diretamente em cervejarias e cervejarias, diz a associação.

“Essas pequenas cervejarias se somam e, do ponto de vista de empregos, há beleza na ineficiência”, disse Watson. “É preciso mais pessoas para fazer a mesma quantidade de cerveja, se você está espalhando em centenas ou milhares de pequenas cervejarias, contra uma instalação realmente grande.”

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O crescimento aconteceu em todos os EUA, em áreas urbanas e rurais, embora o número de cervejarias em pequenas cidades e áreas rurais tenha caído como uma porcentagem do total de cervejarias, disse Watson em um relatório recente . Nas últimas estatísticas da associação, Chicago se tornou a cidade com mais cervejarias (167), seguida por Seattle (153), San Diego (150), Los Angeles (146), Nova York (141) e Portland (139).

Mais de oito em cada 10 adultos norte-americanos com 21 anos ou mais (85%) vivem atualmente a 10 milhas de uma cervejaria, diz Watson. “Isso significa que o impacto será sentido em vários lugares do país”, disse ele, “porque esses são negócios menores orientados a serviços, você tem esse componente de serviços também”.

Os EUA têm estabelecido regularmente novos recordes para o número de cervejarias nos últimos anos. A marca alta pré-Proibição atingiu 4.131 em 1873, e os Estados Unidos só a aprovaram em 2015. A proibição e a produção em massa fizeram com que as cervejarias fechassem e, no final da década de 1970,  apenas 44 cervejarias existiam nos EUA.

Em um dos focos históricos, o município de San Diego – sede da Stone Brewing Co., de Escondido, Califórnia, bem como a Karl Strauss Brewing e Green Flash Brewing – geraram US $ 1,1 bilhão em impacto econômico em 2017.

No outro lado do negócio as artesanais de maior porte têm um novo momento a enfrentar.

O crescimento meteórico de outrora significava retornos mais rápidos de investimentos de expansão pelo país através de cadeias logísticas e distribuidores.

Na nova fase do mercado americano difi

Para estas a palavra consolidação deverá ser mais comum daqui para a frente para que consigam continuar se expandindo num mercado que cresce, mas com taxas menores.

Um grande exemplo desta realidade foi a recente aquisição da Dogfish Head pela Boston Beer Company, fabricante da Samuel Adams. A complementaridade de portfólios, diferença de estágios de crescimento e de tamanho entre as cervejarias tornaram a união (ou aquisição) perfeita para o momento do mercado americano.

Outra estratégia que têm sido adotada são uniões entre cervejarias para compartilhamento de seus ativos de produção e união de esforços comerciais e logísticos como por exemplo a Canarchy Craft Brewery Collective que reúne Oskar Blues Brewery, Perrin Brewing Company, Cigar City Brewing, Squatters Craft Beer and Wasatch Brewery, Deep Ellum Brewing Company, e a Three Weavers Brewing.

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Sobre o autor

Felipe Freitas é engenheiro químico, mestre em Gestão da Inovação pela EQ/UFRJ
Sommelier e especialista em marketing de cervejas