Publicidade
Escocesa Brewdog anunciou a aquisição da unidade de produção e restaurante anexo da americana Stone em Berlim

Dois anúncios com diferentes entonações informam o mundo da cerveja de um grande negócio nesta sexta. A Stone Berlin está fechando e a Brewdog ocupará este espaço se tornando a primeira unidade de produção da escocesa na Alemanha.

A cervejaria escocesa, que já opera múltiplos negócios associados a cerveja pelo mundo incluindo hotéis e uma companhia aérea, anunciou a aquisição da Stone Brewing World Bistro & Gardens, unidade de produção com restaurante anexo da americana em Berlim.

A cervejaria localizada no bairro de Mariendorf, ocupa um imponente prédio que abrigou uma histórica unidade de processamento de gás da capital alemã, possui um sistema de produção de 100 hl e outro piloto de 10 hl, além de um taproom com 2.500 metros quadrados e beer garden com 5.000 metros quadrados.

A unidade ficará fechada por seis a oito semanas para reforma com a mudança da Brewdog para a cervejaria que está marcada para o dia 1º de maio.

Leia também: O que esperar do mercado de cervejas no Brasil em 2019

Grande e ousado demais

Com um investimento de 30 milhões de dólares, a unidade da Stone, ranqueada como a nona maior cervejaria independente americana, em Berlim foi anunciada em 2014 e teve sua inauguração em dezembro de 2016, sempre cercada de adiamentos devido as dificuldades encontradas na construção.

Parte dessas dificuldades foram retratadas no documentário “The Beer Jesus From America”, lançado recentemente, que conta a saga do desafio da cervejaria artesanal americana se arriscar a entrar num dos mercados mais tradicionais da Europa, o alemão.

A abertura da cervejaria em Berlim foi acompanhada por uma série de lançamentos de cervejas colaborativas feitas com cervejarias de várias parte do mundo, que incluiu a brasileira Bodebrown que produziu a Imperial Red Ale com chips de amburana “Virando brasileiro com Madeira Vermelha” .

Cerveja colaborativa Stone/Bodebrown para o lançamento da Stone Berlin

A unidade, agora vendida para a Brewdog, foi o maior passo da Stone no objetivo de se tornar um player global num momento que a velocidade de crescimento no mercado americano está menos acelerada que na década passada.

O co-fundador e presidente da Stone, Greg Koch, declarou num post do blog da companhia com o título “Até mais Berlim, grande demais, ousado demais e cedo demais
“O nosso projeto em Berlin demonstrou ser um tanto agressivamente grande e ousado demais, e também um pouco longe demais de casa, para que a Stone operasse.”

“Vai ser um voo bem mais curto da Escócia pra cá do que é de San Diego.”

“Essas coisas machucam e essas coisas acontecem. E essa aí machucou bastante.”

“Nós desejamos toda a sorte a nossos amigos da Brewdog na unidade de Mariendorf. Nós trouxemos ela a vida e sabemos que eles farão o mesmo do jeito deles.”

Após o início da sua operação da unidade, a Brewdog continuará produzindo as cervejas da Stone para distribuição no mercado europeu.

O marketing de contestação da Stone não funcionou na Alemanha

Jeff Alworth, do blog Beervana, questionou a forma imprudente que Koch inicialmente anunciou o projeto de Berlim, ao convidar a mídia local para assistir ele lançar uma pedra gigante num grupo de garrafas de cervejas alemãs. Logo após o co-fundador da Stone declarou “Berlim ainda não é realmente um cidade cervejeira.”

Leia também: Heineken investirá R$ 15 milhões no instituto da cerveja Brasil

E assim um dos empreendedores do mercado da cerveja de maior sucesso nos EUA não obteve o mesmo sucesso no exterior.

Alworth argumenta que este insucesso está ligado a atitude da entrada de Koch em relação ao cultura da cerveja alemã.

“A abordagem de atitude contestadora que deu tão certo na Califórnia não vendeu bem em Berlim.” escreveu Alworth para o seu blog

A expansão da Brewdog na Alemanha

“Estamos empolgados para nos tornarmos uma pequena parte do movimento da cerveja artesanal na Alemanha e do cenário do mercado alemão como um todo e também estamos empolgados para nos tornarmos parte da comunidade de Mariendorf” declarou o CEO da BrewDog James Watt.

“Cerveja, pessoas e comunidade foram sempre os fundamentos do nosso negócio e é isso que estaremos focando em Berlim também conforme procuramos compartilhar nossa paixão por cerveja artesanal com o máximo de pessoas que pudermos.”

A sistema de produção de 10 hectolitros presente na unidade de Mariendorf será utilizada para o lançamento do projeto “Berlin Craft Collective. Que oferecerá este espaço para cervejarias artesanais de Berlim, servindo tanto de ponto de início de uma nova produção quanto escalando produções menores. Além disso a Brewdog oferecerá essas cervejas em todos os seus bares na Alemanha.

A Brewdog não é novata no território alemão. A empresa já opera um bar também em Berlim desde 2017 e anunciou juntamente a aquisição da Stone Berlim a abertura de outro bar em Hamburgo no verão de 2019.

A expansão agressiva da Brewdog por inúmeros negócios com ações marketing que estão sempre dialogando com o sarcástico e o grandioso tem sido sempre pauta de manchetes pelo mundo. Com a aquisição de uma unidade de produção de outra cervejaria gigante para o mercado artesanal eles conseguiram mais uma.

Fique online com nossas publicações. Curta nossa página no Facebook!