Brewdog produz a ‘cerveja mais alcoólica do mundo’ em colaborativa com rival

Foto: Twitter Brewdog

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Cervejaria escocesa Brewdog em parceria com a cervejaria Schorschbräu utilizou a técnica para produção de eisbock para chegar a cerveja de 57,8% de teor alcoólico

Quando a Brewdog era uma pequena cervejaria escocesa pouco conhecida há cerca de 10 anos atrás um dos seus meios de atingir manchetes internacionais foi uma caça pela produção do que seria considerado a ‘cerveja mais forte do mundo’, em se considerando o seu teor alcoólico.

Em 2009 ela lançou a Tactical Nuclear Penguin com um ABV de 32%, dizendo que havia batido o recorde anterior de 31% ABV da marca alemã Schorschbräu. A cervejaria alemã decidiu retomar o seu título com outro lançamento e as duas travaram uma competição durante certo tempo com uma sequência de cervejas que miravam em testar os limites da quantidade de álcool.

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Desde então muita coisa aconteceu. A Brewdog se tornou uma marca de expansão global que têm se dedicado a alcançar holofotes com questões sócio-ambientais relativas ao seu negócio, mas decidiu retornar ao tema da ‘cerveja mais forte do mundo’ convidando sua rival alemã para uma produção colaborativa

Foi assim que a cervejaria escocesa anunciou o lançamento da cerveja, que segundo a própria marca, seria a cerveja de maior teor alcoólico do mundo chamada de Strength In Numbers, que possui 57,86% de álcool por volume e que é um percentual maior do que a maioria dos destilados do mercado.


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Leveduras comumente utilizadas para produzir cerveja não chegam a atingir valores muitos superiores a 14% de álcool ao fermentar o mosto. Para atingir percentuais elevados de teor alcoólico na cerveja uma técnica que pode ser utilizada é a do estilo alemão chamado eisbock onde uma série de congelamentos/descongelamentos da cerveja vai eliminando gradativamente a água da bebida.

Este processo é demorado e caro pois promove a perda de volume do produto e permite se chegar a teores próximos de 60%. Para se ultrapassar essa marca só seria possível com destilação ou adição de álcool que descaracterizariam a produção cerveja. Este o artifício utilizado por cervejas como a britânica Snake Venom que possui 67,5%, mas adiciona álcool de fontes externas à própria fermentação do mosto.

A cerveja brasileira considerada a mais alcoólica do país foi lançada em 2019 pela paulista Cervejaria da Cuesta que utilizou o método de produção de eisbock para produzir a CUESTA Beer Brandy que possui 30% de teor alcoólico e só deve reaparecer no mercado a cada dois anos.

Para a cerveja mais forte do mundo, a Brewdog contribuiu para o projeto com um barril de sua Belgian Golden Ale 26% ABV chamada Death or Glory , ela envelheceu em um barril de uísque escocês por 10 anos. O barril foi enviado para a Alemanha e misturado Schorschbräu Eisbock de 30% ABV.

A mistura passou pela série de congelamentos até atingir a marca de 57,86%, foi envasada em garrafas de 40 ml e ao ser lançada na última quinta-feira (17/09) no Reino Unido se esgotou no mesmo dia.

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Sobre o autor

Felipe Freitas é engenheiro químico, mestre em Gestão da Inovação pela EQ/UFRJ
Sommelier e especialista em marketing de cervejas