Polícia civil finaliza inquérito do caso Backer comprovando vazamento na fábrica

Foto: Dite Fui Ser Viajante

Inquérito que investiga contaminação de cervejas da Backer é finalizado com 29 vítimas e onze funcionários indiciados

Após cinco meses de investigações o inquétrito sobre a contaminação de cervejas da cervejaria mineira Backer foi concluído.

O inquérito reúne mais de 4 mil páginas e ouviu mais de 70 pessoas, dentre elas, vítimas sobreviventes, suspeitos e testemunhas sobre os casos de presença de dietilenoglicol em cervejas, um produto tóxico utilizado em sistemas de resfriamento que provocou a intoxicação de uma série de pessoas.

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De acordo com o delegado Flávio Grossi da Polícia Civil as investigações comprovaram, física e quimicamente, a existência de um vazamento em um dos tanques de fermentação da fábrica. O vazamento teve início em setembro de 2019, quando foi adquirido o tanque JB10, que foi foco da investigação por apresentar altas concentrações da substância tóxica.

“Encontramos o vazamento dentro do tanque. O líquido ia para dentro da cerveja. Achamos a comprovação física e visual da existência desse vazamento, mas, para nossa equipe, queríamos mais. Demonstramos quimicamente uma similaridade entre o produto retirado no tanque e lá dentro do produto. Tinha a mesma composição. Comprovamos de forma química a existência desse vazamento”, disse Grossi em coletiva da Polícia sobre o caso.


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Uma animação publicada no Portal G1 demonstra como a solução de resfriamento, contendo etilenoglicol, vazava para dentro do tanque de cerveja se misturando a bebida. A polícia utilizou um corante para verificar que o fluido do chiller contaminava a cerveja presente no tanque.

De acordo com a polícia tanto o tanque quanto chiller indicavam que deveriam ser utilizadas substâncias não tóxicas. No caso da utilização de uma substância não tóxica, como etanol por exemplo, não haveria ocorrido efeito danoso as vítimas.

Entre os indiciados estão funcionários, gestores e sócios da Backer. Os crimes envolvidos incluem lesão corporal, contaminação de produto alimentício e homicídio.

O delegado destacou que a investigação foi conduzida com uma equipe diversa de profissionais que contou com químicos, engenheiros e peritos para combinar conhecimentos do processo de produção de cerveja com possíveis focos de contaminação do produto químico.

Dentre as 29 vítimas apontadas no inquérito sete morreram e 22 sobreviveram. Outros 30 casos estão sendo analisados e podem ainda se somar as vítimas incluídas no processo.

A Backer em nota comunicou que “reafirma que irá honrar com todas as suas responsabilidades junto à Justiça, às vítimas e aos consumidores. Sobre o inquérito policial, tão logo os advogados analisarem o relatório, a empresa se posicionará publicamente”.

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Sobre o autor

Felipe Freitas é engenheiro químico, mestre em Gestão da Inovação pela EQ/UFRJ
Sommelier e especialista em marketing de cervejas