Latas ganham espaço em Brewpubs, tendência que deve durar

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Latas estão se tornando um caminho para que brewpubs invistam em novos canais comerciais de maneira mais eficiente e estratégica

Com as mudanças no mercado de cerveja artesanal ocorridas nos últimos meses um processo de adaptação foi iniciado para que negócios continuassem ativos contornando as novas restrições apresentadas.

Para brewpubs e taprooms a escolha de embalagens ganhou um nível de importância muito maior que o anteriormente observado nesses modelos de negócio, uma vez que o serviço no próprio local deixou de ser temporariamente um canal de faturamento.

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A estratégia da cervejaria Kinke, um brewpub encravado numa área residencial da cidade de São Paulo, aponta para uma direção que deve se tornar mais comum nesses tipos de negócio, que é o da adoção em maior proporção da utilização de latas para que se chegue ao consumidor final.

Brewpubs como a Kinke foram responsáveis pelo aumento vertiginoso do número de cervejarias na capital paulista de 2018 para 2019, que saltaram de 9 para 27, um percentual que corresponde a um crescimento de 200% e de maneira inesperada já tem seu modelo de negócios desafiado a se adaptar o mais rápido possível a uma nova realidade.


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Um fator positivo no processo de adaptação imposto a Kinke é que desde o começo da cervejaria, inaugurada no ano passado, seus sócios já procuraram de alguma forma investir em latas como embalagens, inicialmente estabelecendo uma parceria com uma cervejaria que possuía enlatamento e atualmente passando a contratar um serviço de envase móvel de latas que atende no próprio brewpub.

“Antecipamos nosso plano de investir em latas, principalmente nessa fase de delivery. Foi um projeto bacana” comentou Carlos Urban um dos sócios da Kinke.

De forma geral a primeira opção disponível para brewpubs comercializarem seu produto online são os growlers, porém essa embalagem apresentam algumas desvantagens do ponto de vista operacional e estratégico para ampliação de seu volume comercial.

Os growlers de plástico geram um efeito ambiental muito negativo por não serem amplamente reciclados, enquanto os de vidro demandam um investimento na logística de devolução que adiciona muita complexidade as operações de delivery.

Adicionalmente, os growlers não potencializam compras online onde clientes procuram diversificar os tipos de cerveja adquiridos que são um dos atrativos quando se pensa nas cervejarias artesanais. Compras com essa característica acarretariam num volume muito grande e com um prazo de consumo não muito extenso.

“A latinha tem vantagens como diversificar estilos. Se alguém quer beber 1 litro no growler ele tem que se restringir a apenas um, enquanto na latinha já podem ser dois. Além disso as latinhas oferecem maior durabilidade, nos growlers a carbonatação só se mantem em melhores condições por 24 horas” comenta Carlos.

Avaliando pela questão estratégica, latas possuem um potencial maior de comunicação de marca à distância, tanto da cervejaria quanto especificamente do produto, mais profundo que os growlers.

Desta maneira, projetando que a comercialização online deve ganhar maior importância para brewpubs e taprooms, a venda de latas se torna uma forma mais efetiva de manter o público engajado com a cervejaria numa perspectiva em que o mesmo deve ter menos oportunidades de visitar os estabelecimentos diretamente.

“As latas estão saindo super bem. Temos nossa loja online, vendemos por ali, pelo Ifood e por whatsapp. A loja online já tínhamos começado a desenvolver e com a chegada da quarentena aceleramos o para colocarmos no ar” explica o sócio da Kinke.

Num médio prazo a cervejaria planeja ampliar sua oferta em latas e investir no aumento de diversidade de produtos para o público em pacotes com estilos variados seguindo uma tendência adotada recentemente num modelo onde brewpubs invertem a lógica de apenas receber o público e passam a ter que ir de encontro a ele.

“Nossa loja tem pacotes especiais para montar packs com 4 ou 8 estilos. Logo mais traremos mais dois estilos que já estão nos tanques em maturação” finaliza Carlos.

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Sobre o autor

Felipe Freitas é engenheiro químico, mestre em Gestão da Inovação pela EQ/UFRJ
Sommelier e especialista em marketing de cervejas