Cervejarias artesanais ficam sem latas nos Estados Unidos

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Corrida por embalagens ocasionadas por mudanças de hábitos de consumo deixa cervejarias artesanais norte-americana sem latas e a tendência se espalha pelo mundo

Neste ano as mudanças ocasionadas pela pandemia do novo coronavírus chacoalhou os mercados de diversos produtos das maneiras mais variadas.

O mercado de cerveja não ficou de fora deste fenômeno e a reconfiguração dos canais de distribuição provocou uma corrida de todos os produtores da bebida por embalagens, exceto barris.

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O fechamento temporário de bares e restaurantes e uma retomada com lotação parcial destes conjugada com a preferência de uma parcela importante dos consumidores de passar a beber em casa levou a uma grande mudança no mix de embalagens dos produtores de cerveja

A busca por latas foi um dos destaques nesse sentido e o crescimento da demanda por essa embalagem se espalhou por todos os segmentos do mercado de bebidas nos Estados Unidos, o que está ocasionando uma falta de latas para os produtores de menor porte, no caso as pequenas cervejarias artesanais.


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Quando a demanda por um determinado insumo, neste caso embalagens, se torna grande a preferência de fornecimento se volta para grandes produtores se estes estiverem entre os demandantes. No caso do mercado de bebidas dos EUA estes são Coca-Cola, Pepsi, AB InBev, Molson Coors e Constelattion Brands, por exemplo.

Um desafio adicional nesse cenário foi a ascensão meteórica dos hard seltzer nos Estados Unidos. O crescimento explosivo da bebida que é envasado prioritariamente em latas se ampliou em 2020, contribuindo para a redução de disponibilidade da embalagem.

“Em tempos de escassez, não há violação de garantia de competitividade em privilegiar os seus maiores clientes em primeiro lugar” declarou o economista-chefe da Brewers Association, Bart Watson, ao jornal The Washington Post.

“A maior parte das pequenas cervejarias compra indiretamente de atravessadores da embalagem o que significa que numa lista de prioridades estão na parte de baixo dela. Esse é um dos desafios que pequenos negócios enfrentam” completou Watson à publicação.

Scott McCarty, diretor de comunicação estratégica da Ball Beverage Packagings, uma das principais produtoras de lata do mundo, diz que a escassez da embalagem é resultado de uma confluência de fatores. O crescimento meteórico de Hard Seltzers como segmento aliado também ai aumento da procura por bebidas não-alcoólicas como água com gás, com produtores preferindo latas e se afastando do uso de plástico.

“A chegada do verão com altas temperaturas contribuiu para a alta demanda. Isso se tornou mais intenso com com o isolamento social e os consumidores buscando latas para o consumo de bebidas em casa” declarou McCarty também ao The Washington Post.

A Ball precisou aumentar sua capacidade de oferta nos EUA adicionando novas linhas as suas unidades existentes e criando duas plantas adicionais de produção de latas que serão capazes de fornecer ao menos 6 bilhões de unidades até o fim de 2021.

Demanda por latas também cresceu no Brasil em 2020

O fenômeno de aumento acelerado na demanda de latas para bebidas não se restringiu aos Estados Unidos, um movimento semelhante, por exemplo, está sendo observado no Brasil. Porém aqui o segmento que puxa este crescimento é o de cerveja.

Conforme já publicado anteriormente a necessidade de isolamento social ocasionou a migração do volume de produção de cervejas para latas, o que fez a bebida atingir atingir seu maior share na utilização da embalagem da história no Brasil.

O fenômeno atingiu todos os níveis de escala de produção no país desde as grandes cervejarias até as nano-fábricas como brewpubs e taprooms iniciaram uma busca por ofertar produtos em lata, conforme precisaram atingir consumidores a distância através de vendas online.

A observação da importância da tendência do crescimento do uso de latas fez a gigante Ambev acelerar a inauguração em setembro de sua fábrica de latas no Brasil, com capacidade de produção de 1,5 bilhão de unidades por ano em Minas Gerais, a primeira de uma produtora de bebidas no país.

Todo o contexto só demonstra que as conveniências oferecidas pelas latas por quem produz e quem consome só devem aumentar sua utilização, não só para a cerveja, mas também para uma série de bebidas que enxergam o valor desta embalagem

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Sobre o autor

Felipe Freitas é engenheiro químico, mestre em Gestão da Inovação pela EQ/UFRJ
Sommelier e especialista em marketing de cervejas